Minha saga capilar de pertencimento e identidade

27.4.19

Se você me conhecia de outros carnavais, acredito que esteja surpresa diante dessa minha versão morena, mas tudo bem! Muita gente se surpreendeu, me reconheceu e desconheceu. E eu? Sempre soube que  era assim, mas percorri um longo caminho até aceitar isso. E essa é a história que conto agora.

Pintei meu cabelo de ruivo em 2012, aos 15 anos, quando meu conceito de beleza envolvia ser bem diferente, me destacar entre as pessoas e refletir externamente a minha personalidade. Continuo acreditando em tudo isso, mas mudei consideravelmente a forma que emprego esses conceitos.

Durante longos seis anos, achei que ter uma cor e uma textura de cabelo diferentes da minha era, de fato, ser eu mesma. O poder da escolha às vezes nos sobe à cabeça, né? Passei todo esse tempo fugindo da minha identidade por achar que houve um equívoco por parte de Deus na hora que Ele estava me criando, que eu tinha n-a-s-c-i-d-o pra ser ruiva, que meu cabelo era um "fuá", uma "moita" e precisava ser sempre controlado, estar sempre alisado e que eu combinava mais com ele dessa forma.

Foi então que percebi que era mais cansativo e desgastante manter essa aparência que eu tanto acreditava ser a minha, do que realmente assumir a aprender a lidar com a que eu tenho, além de ter me deparado com uma Juliana prisioneira de vários padrões estéticos que ela sequer parou para refletir e questionar. A sensação é de ter uma pequena chave virando dentro de mim.


Eu já havia largado a dependência da chapinha desde o comecinho de 2018 (e nem senti falta!), porém ainda penteava o meu cabelo (mesmo que seco) e não dava muita bola para finalização ou o corte ideal para valorizar as ondas. Para agravar a situação, a química da tintura interferia na formação do fio e eu estou falando de s-e-i-s anos de interferência contínua. O resultado é que meu cabelo parecia estar sempre mal cuidado, farofento, me deixando com uma aparência desleixada e empurrando minha auto estima pro ralo. E quando crescia um dedinho de raiz?! Nossa, eu perdia toda a minha dignidade!

Pois bem, como eu já tinha me livrado de metade do meu problema, liguei o foda-se e apostei em deixar meu cabelo da cor natural, tacando um castanho pra cima sem nem pensar duas vezes! Engraçado que no dia que tomei essa decisão, nem consegui trabalhar direito de tão angustiada que estava, querendo largar os fios cobre de uma vez por todas. E assim, mês após mês venho descobrindo uma raiz natural e tímida querendo aparecer, não vendo a hora de ter um cabelo inteirinho meu novamente! Não ter o compromisso de retoque de cor, tonalização, comprar tinta, faltar a tinta e etc é um baita alívio, viu?

Mesmo com todo esse falatório, não quero dizer que é fácil manusear meu cabelo, arrumá-lo, fazer uma boa finalização ou não babar com minhas fotos antigas de quando era ruiva. Não é nada disso, mas sim uma sensação de que, apesar das circunstâncias em que meu cabelo esteve divino e recebeu vários elogios, essa é uma página a ser virada, uma velha necessidade que seis anos depois não faz mais sentido. E olha, não nego por completo a possibilidade de voltar a colorir meu cabelo, mas hoje não. Também não sou inimiga da escova, tá? Da chapinha eu até sou, rs, mas não abro mão de esticar os cabelos quando acho adequado.

Não quero ditar regras ou te dizer o que é falso ou verdadeiro em você, apenas contar como tudo aconteceu comigo.

Talvez, para algumas mulheres, cabelo é só cabelo e tanto faz se ele está natural ou não, tanto faz se determinado procedimento vai agredí-lo ou não. Para aquelas que romantizam tudo, como eu, o cabelo é uma ferramenta de autocuidado e amor, por isso há tanta "problematização" nisso.

Sei que pode ter sido uma história chata e irrelevante para todos os seres humanos que habitam a face desse planeta que chamamos de Terra, mas eu realmente queria contar sobre essa trajetória que, aos meus olhos - os olhos de quem viveu -, foi significativa para minha evolução como mulher e como ser humano. Beijos!

Que tal esses?

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"Devemos sempre acreditar que, por mais difícil que seja, lutar por aquilo que queremos não é perda de tempo."

- Anne Ferreira