Tenho deletado pessoas

9.11.18

Fenômenos sociais recentes, aka política, me levaram a questionar a razão pela qual mantenho em meu meio social pessoas que não conheço, não gosto, nunca fui amiga e nunca serei. Até pouco tempo atrás, eu tinha a mania safada de ver uma pessoa na rua e querer adicioná-la no facebook, saber que fulano é primo de beltrano que é conhecido da minha colega e então seguí-lo no instagram... Coisas desse gênero, sabe? Mas, acrescentando um tanto de criticidade à esta psicopatia cibernética e busca irresponsável por números, percebi que a internet é mais tóxica e perigosa do que eu poderia imaginar.


As redes sociais tem substituído cada vez mais as trocas sólidas de afeto e interação social. As pessoas que você conhece, não conhece da academia ou da faculdade, mas sim do instagram; não se paquera o crush na balada, curte-se uma foto antiga do feed dele; você não conversou com sua amiga sobre aquele B.O. na sua vida, mas mandou um meme resumindo o assunto. Tem sido assim com todos nós, não adianta negar.

Nesse compasso, o instagram virou o palco da maioria esmagadora do meu contato com o mundo exterior: conversava nos stories, adicionava dezenas de hashtags aàs minhas fotos, pensava e produzia conteúdo, vibrava com cada novo seguidor. É um ciclo vicioso, um buraco negro que vai te sugando pra dentro dele. Somente quando percebi que aquele inocente aplicativo havia se tornado um ambiente tóxico e capaz de incitar todo tipo de angústia e asco em mim, comecei a entender que a internet também exige seus filtros de tolerância

Então tenho pensado assim: se minha timeline fosse uma sala trancada cuja chave está perdida, quem eu realmente gostaria que estivesse preso aqui comigo? A companhia de quem seria realmente agradável e menos penosa? Assim, enxergando as pessoas além de números, percebendo que todo mundo carrega uma carga energética, seja ela negativa ou positiva, e que o que os olhos veem o coração sente (muito!), pude me desprender do lixo digital que nos tornamos.

Não há mais espaço para pessoas que não me agregam sentimentos positivos, bem como também poupei muitos mais da minha presença enxerida - quiçá desagradável - em seus cantinhos da internet. Voltei a usar minha rede como um espaço privado, longe de olhares curiosos e desconhecidos, desfrutando do sabor antigo de não querer ser vista ou lembrada, e fugindo de qualquer compromisso de transformar minha vontade de comunicação em algo que exija a atenção e a aprovação de todo mundo.

O que eu achava que iria me custar números vultuosos, engajamento, alcance, interação e todas essas coisas insanas que o instagram nos faz acreditar serem necessárias, me custou, na verdade, muita paz. Eis um exercício digno de muitas repetições. "Super indico, beninas".

Que tal esses?

4 comentários

  1. Concordo totalmente. E ai que percebemos que nosso cérebro tem um limite real. Não dá pra acompanhar tanta gente.

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  2. Eu ando tão cansada de redes sociais ultimamente. Já fui super viciada e não ficava sem entrar um dia sequer em todas as minhas contas. Hoje em dia, eu entro quando preciso pra algo relacionado a trabalho ou falar com alguém que só encontro por lá. Tudo anda tóxico de mais. Prefiro me afastar.

    Vidas em Preto e Branco

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  3. Oláaaaaa, turupom?
    Primeiramente eu curti bastaante teu blog. Tua forma de escritaa é bem massa! Segundamente, esse tipo de dinâmica que a internet exige envolve um relacionamento que não é "obrigatório" como o interpessoal, logo, fica mais fácil e é de certo modo até sensato, manter por perto somente as pessoas que nos acrescentaam!

    Adorei teu canto, se puder, dá um corre lá no meu!
    Grande abraaço!

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"Devemos sempre acreditar que, por mais difícil que seja, lutar por aquilo que queremos não é perda de tempo."

- Anne Ferreira