Sobre quando somos tão vítimas que nos tornamos vilãs

15.10.15

Desde que escrevi aquele post sobre as indas e vindas da amizade fiquei tão contente em conseguir extrair algum ensinamento daquela situação, que resolvi seguir a mesma linha de pensamento para outro assunto. Acredito que o Brasil inteiro já esteja bem informado sobre a separação da Joelma e do Chimbinha e, certamente, todos ficaram chocados, mas ninguém imaginou que essa história ia render tanto. Traição a gente vê todo dia, né?

Pra quem ainda não se informou, Joelma descobriu que Chimbinha a traía por dois anos, então resolveu se separar e de quebra, destruir a banda e o resto de dignidade que lhe restava. Quem aqui nunca esteve no lugar dela? Eu já passei e sei bem como o chão se abre e a gente vai caindo em um abismo que parece não ter fim, mas tem sim. Joelma, você quer cavar mais buraco no seu fundo do poço? Seje menas. 

No começo dessa história a cantora era a vítima e todos nós ficamos indignados com as atitudes que Chimbinha escondia por trás da carinha de anjo. Sim, por alguns segundo eu odiei Chimbinha, mas Joelma se fez de tão vítima, mas tão vítima que agora ela é a vilã. A falta de profissionalismo, o rancor e a instigação à violência da cantora, está invertendo os pólos dessa situação. Tenho plena convicção que nenhuma das atitudes da Joelma vai mudar em algo o que já aconteceu, muito menos vingar, se é isso que ela está querendo. Seja lá qual for o nosso limite pra não perder a razão diante de decepções como essa, a cantora já os ultrapassou.

"Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que se volta atrás." 

Não falo isso como uma mestra em sair por cima de situações difíceis. Muito pelo contrário, inúmeras vezes eu fui Joelma. Lembro que quando eu tinha 15 anos, sofri minha primeira decepção amorosa e posso definí-la como uma queda livre do céu até o chão. Sim, eu fiquei louca de verdade. No início, eu era a vítima injustiçada e todo mundo sabia disso, mas eu fui me aproveitando tanto desse papel que achei que poderia fazer tudo: espernear, fazer birra, cara feia, xingar, xingar, xingar... Quando me dei por mim, vi que tinha feito tanta bobagem que perdi completamente a razão e de tanto ser vítima, me tornei a vilã. 

O mesmo aconteceu ano passado na minha segunda decepção amorosa. Nessa eu achei que se não matasse alguém, acabaria morrendo, e o que eu fiz? Quase perdi a razão de novo. Por sorte, acho que me controlei bem mais rápido e de uma forma mais eficaz do que na primeira vez, mas mesmo assim, dei umas pisadas na bola.

Sei que não é fácil enxergar os passos que estamos dando quando o nosso coração está cego de dor. Nessas horas, a melhor coisa que temos que fazer é parar, respirar fundo e colocar pra fora, moderadamente, o nosso sofrimento e depois disso, cortar pela raiz todo rancor que queira se enraizar outra vez. Provavelmente, essa é a primeira vez que a Joelma se decepciona assim, coitada, estava mal treinada. Mas queria que ela soubesse que esse teatro todo já está ficando feio e que ela já perdeu o papel de vítima. 

"Aceitar um momento difícil é o começo para superá-lo."

Uma coisa que aprendi com a vitimização, é que não adinta ficar repetindo a mesma história de sofrimento por longas horas, dias ou anos. Logo todos vão cansar do drama barato e você só ficará fazendo papel de boba. Pare de achar que o mundo é seu inimigo e todas as criaturas da face da terra são injustas e só te fazem sofrer. Não tente buscar novos culpados pra coisas que já passaram. Aceite as pedras da vida e use-as como sua forteleza ao invés de atirá-las contra sua própria cabeça. Desencana, respira fundo e segue em frente. Está tudo bem.

Esse texto é pra todo mundo que viu seu mundo caindo e foi junto com ele, mas que agora sabe que certas quedas não valem a pena. E para todas as Joelmas (inclusive a própria), só tenho uma coisa a dizer:  recupera essa dignidade e vai bater cabelo por aí, chega de palco e vai pro palco seguir a tua vida! 

Obrigada por terem lido esse mix de opinião e aconselhamento até o final. Comentem aqui embaixo a opinião de vocês sobre o assunto. Beijos!

Que tal esses?

12 comentários

  1. Já passei por essa de ser a vitima também, mas como você disse depois de um tempo de tanto você ser vitima você acaba virando a vilã e isso tava acontecendo comigo até meses atras. Amei seu aconselhamento. Cabeça erguida e bola pra frente! E sobre a Joelma já ta enchendo o saco esse draminha dela, só acho.

    Beijos
    http://lacerejinha.blogspot.com.br/

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    1. É isso, precisamos superar isso e não perder a linha :D
      Joelma está avançando o sinal vermelho ¬¬'

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  2. Ótimo post!! seu blog é maravilhoso
    bjs www.lennamaria.com

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  3. Oiie!!
    Nossa, adorei seu post e super concordo com você, eu mesma já fiz papel de vitima algumas vezes e no meio desse papel acabei sendo a boba da história, mas hoje eu aprendi e tento me vitimizar o minimo possível.

    Obs: Indiquei seu blog numa Tag, dê uma olhadinha.
    http://liriosevioletas.blogspot.com.br/2015/10/tag-esse-ou-esse.html

    Beijinhos violetas ^^

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    1. Boba era o meu sobrenome, agora tento ao máximo evitar fazer isso
      Vou dar uma olhada :*

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  4. Praticamente juntou tudo aquilo que eu já imaginava sobre isso e escreveu de forma mais harmônica. Parabéns pelo post, adorei!

    Beijo, Sel | Quinta Gaveta ♥

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  5. Já passei por isso,na primeira vez me recusava a acreditar e na segunda me decepcionei MUITO.Até hoje dói para falar a verdade.. mais enfim as feridas sê curam com o tempo.Cara, a Joelma realmente precisava ler esse texto ! rs

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    1. Acredite, depois de um tempo essa dor perde o sentido. Não vale a pena sofrer por isso, sabe?

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  6. Menina você escreve muito bem! Que texto perfeito, sincero e a mais pura realidade! Tenho vários amigos que também ficaram mal com suas decepções e a gente cuidava e ficava com pena, até que se fizeram tanto de vítima e por tanto tempo, que deu foi raiva mesmo.
    Enfim, belo texto ;)
    http://agarotaeotempo.blogspot.com.br/

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    1. Muito obrigada Débora! Já fui a amiga que ajuda e a amiga que precisava da ajuda. Os dois papéis perdem a graça com o tempo

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"Devemos sempre acreditar que, por mais difícil que seja, lutar por aquilo que queremos não é perda de tempo."

- Anne Ferreira