O cheiro de café ainda me lembra você

19.9.15

A 11 dias e 15 horas abrir a porta desse apartamento e identificar vestígios de você era o que tornava o meu dia mais alegre. A cama ainda bagunçada, o sofá com seu cheiro, a mesa de canto com a pilha de DVD's que você bagunçava antes de escolher um para assistir e na cozinha, aquele cheiro de café ainda quentinho. Na geladeira, o recado de sempre: "Volto às 19h, fiz café pra você.". Já são 19:15 e a 11 dias e algumas horas que não conto mais, você não volta. 

Eu não gostava de café até te conhecer, essa é a verdade. "Como você não consegue gostar desse sabor? O gosto forte na boca e esse cheiro são metade de mim", era o que você dizia. A outra metade era eu. Gostava particularmente dessa sua parte no discurso. Sou metade de você, você é tudo em mim. Mas agora você não está mais aqui e vazia estou. Ninguém deveria ter o direito de esvaziar outra pessoa como se fosse uma bola de sopro.

Sempre estive certa que nunca estaria pronta para despedidas. Até daqui a pouco, até amanhã, até nunca mais. Isso não é pra mim, nunca foi. Dizem que com o tempo a dor diminuiu, ou pelo menos nos acostumamos com ela, mas já faz alguns dias e algumas horas que não conto mais que você não volta. E como voltaria? Quando alguém se vai da forma como você se foi, não volta nunca mais. Estive lembrando das vezes em que ficávamos jogando conversa fora deitados no sofá que tem seu cheiro. Você dizia que se morresse antes de mim, viria me visitar todas as noites. É claro que eu ria dessa bobagem, nunca gostei de fantasmas, mas depois de tanto tempo, tudo que eu mais queria era ao menos sentir a sua presença assombrando os pêlos da minha nuca. 

Todos dizem que você descansou, esse é o roteiro que combinaram para me consolar. Mas agora sou eu quem não descanso sem você aqui. A cama feita, o sofá só cheira a poeira, a mesa de canto está arrumada, sem recados na geladeira. 19h. Estou quase acostumada com essa sensação de solidão, com essa certeza que você não vem, mas ainda há algo seu no ar, algo que logo consigo identificar. O cheiro de café. Isso você não conseguiu levar, esse está empregando em cada canto dessa casa como se já fizesse parte dela a muito tempo. Confesso que me conforta ter algo de você aqui.

Eu não gostava de café até te conhecer, essa é a verdade. Agora o sabor forte que se prolonga na boca e esse cheiro que fala por si só parecem muito com o amor que vivemos. Intenso e com açúcar. Tudo mais perderia o sentido se não fosse por isso, se não fosse por esse laço de sabor e de paixão que liga nós dois além da morte. A verdade é que o cheiro de café ainda me lembra você e disso eu faço questão de nunca esquecer. Não importa quantos dias e quantas horas passem, será sempre sobre nós dois. 

Que tal esses?

12 comentários

  1. "A verdade é que o cheiro de café ainda me lembra você e disso eu faço questão de nunca esquecer. Não importa quantos dias e quantas horas passem, será sempre sobre nós dois."
    Acho que tem um cisco nos meus olhos! Que texto maravilhoso, Juliana! Suas palavras vieram carregadas de emoção, delicadeza e nostalgia. Lindo!

    www.princesasadoradoras.com.br

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    1. Que lindo ♥ Obrigada pelo carinho Thaís :*

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  2. Nossa fiquei arrepiada com o texto, quanta intensidade eu vi nas suas palavras.
    " Ninguém deveria ter o direito de esvaziar outra pessoa como se fosse uma bola de sopro." Isso é lindo *-* Parabéns !

    Tá rolando SORTEIO de make lá no Blog, vem conferir :) !
    Beijos,
    #fiquerosa

    Fique Rosa

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    1. Uhuuul!! Fico feiz em poder despertar essas reações :D

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  3. Menina, você escreve infinitamente bem!! Parabéns.
    Senti emoção em cada linha e entrelinha.

    O meu blog também é sobre escrita. Se quiser conferir: www.raaymilhomem.com :*

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  4. Que incrível. O cheiro de café sempre me faz lembrar de coisas boas. Adorei o seu texto. Bjus!

    galerafashion.com

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  5. That's an excellent picture. Do you mind sharing the image details and what kind of editing went behind it? Simply loved it. You have a lovely blog.

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  6. Eu gosto de escrever sabe, mas a parte ruim é que só consigo escrever sobre experiências vividas, o que é complicado. Eu não sei se isso é baseado em algo, mas eu senti como se fosse haha
    Adorei, me inspirou!

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    1. Também me sinto confortável escrevendo sobre coisas que já vivi, essa é uma das poucas crônicas fictícias que escrevo e que bom que pareceu real :D
      Obrigada ♥

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- Anne Ferreira