Dos poetas sem causa

17.7.15

Sempre achei bonito ser poeta. Na escola, quando a professora pedia pra fazermos rimas eu virava a cara e fingia que não estava sabendo dessa atividade. Mas mesmo assim, sempre achei bonito ser poeta e ficava intrigada por não conseguir rimar. Que arte é essa que não me permite seguí-la? Imagine só alguém se identificar com o que você escreve. Riscar seus versos de amor no caderno de quem se ama, riscar seus versos de dúvidas na parede do quarto e selar na alma os versos que rimam uma dor que qualquer um pode sentir.

Dizem que almejamos aquilo que nunca teremos. Tá explicado. Sempre quis andar despretenciosa pelas ruas, vagando, devagando... Queria ter uma lista de coisas com as quais não me preocupar. Nada de responsabilidades nem contas para pagar, mas infelizmente eu não nasci para a liberdade. Falo isso porque as pessoas mais incríveis que conheço fumavam sem parar, bebiam e sabe-se lá o que mais. É preciso de liberdade para essas coisas, entende? E de cara de pau também, claro. Mas eu não sou assim. Odeio cigarro, odeio bebida, odeio o sabe-se lá o que mais, mas mesmo assim queria ser livre.

Livre nunca serei, haverá sempre as expectativas alheias para aljemar minhas pernas como uma escrava que nunca será vendia. Mas eu ainda quero ser poeta. No momento, tudo o que eu preciso é de um amor que me faça sofrer. Sim, sofrer. Poeta não vive de alegrias, meu caro. Vive de decepções, de coração partido e na fossa. Tem hora que o amor perde a graça, mas a dor, nunca. Um conhaque e uma caneta, então nasce um escritor de alma morta que descreve com perfeição a sua dor e a do mundo inteiro. Eu gostaria de ter um coração partido (outra vez), mas nem sequer me lembro onde enfiei meu coração.

É difícil ser poeta quando não se tem uma causa pela qual sofrer. As vezes tenho vontade de escrever um outdoor "Por favor, me faça sofrer para que eu tenha uma porra que seja para escrever sobre você!". Mas esse é o meu erro: eu não me entrego. Nem a alegria nem a tristeza. Que tipo de poeta teme o desconhecido? Nenhum que se preze e o amor é isso. Uma sala escura onde você entra e não vê nada, um imenso mar onde você mergulha e não sabe se seus pés irão alcançar o chão. Mas eu tenho medo.

Nunca serei poeta por isso, penso eu, mas quem sabe eu possa entrar para o time dos covardes que existiram mas não viveram. Andaram com medo de errar, de pensar, de ser feliz e de sofrer. Não tenho causa, apenas calos nos pés que já percorreram tantos caminhos e ainda não encontrarm sua estrada. Mas ainda assim quero ser poeta e escrever para o mundo inteiro saber que os covardes também sentem, mas não epero que me entendam
                                                   que me aplaudam.
                                                              que reajam a minha dor.
                                                   Quero que saibam
                                                   Apenas
                                                   Que copos de uísques
                                                   Escondem muitos covardes
                                                   Que nada são
                                                         (Nem sãos)
                                                   Sem álcool
                                                   Sem dor e
                                                   Sem poesia.

E enquanto não compreendem, eu vivo sem causas.

Que tal esses?

10 comentários

  1. Oi Juliana!
    Tu escreve muito bem, guria! Eu to (realmente) sem palavras pra esse teu texto! Também já tive essa vontade de me apaixonar exageradamente por uma pessoa. Mesmo que essa paixão não seja correspondida. Acho os sintomas do amor e da apaixão tão lindos ♥
    Já gostei bastante de várias pessoas, mas nenhum foi como aqueles amores de livros :/
    Meu problema nem é me entregar, acho que eu não encontrei ainda alguém tão legal assim pra me apaixonar loucamente.
    Teu blog é lindo, vou começar a acompanhar!
    Beijos,
    www.garotasaomar.com

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    1. Muito obrigada, fico tão feliz quando gostam dos meus textos ♥
      Ah, realmente ta difícil encontrar alguém interessante pra se apaixonar, mas as vezes o amor não escolhe o alvo e a gente se apaixona até por um cafageste.
      Obrigada pelo carinho!

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  2. Belíssimo texto Ju! Ameeeeei *-*
    Sei lá, esse lance de poesia é mesmo complicado, adorei quando você disse: "Poeta não vive de alegrias, meu caro. Vive de decepções, de coração partido e na fossa." Não é que é verdade?
    Beijos,
    #fiquerosa

    Fique Rosa

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  3. Juliana
    Vc escreve muito bem. Poeta mesmo gosta de sofrer e como sofre. kkk
    Adorei seu blog e ainda mais por saber que é minha conterrânea.

    Bjos e bom domingo,
    http://www.dmulheres.com.br/

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  4. Belissímo texto! Super espontâneo e é isso que eu mais gosto nos escritores -escritora sim, pode até não ser poeta mas é escritora- parabéns pelo blog. Eu também não sou poeta e mal sei rimar minha vida quem dirá palavras rs. Leia meus textos se quiser: http://pensapequena.blogspot.com

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    1. Que bom que gostou Manu! Prezo muito pela minha liberdade de escrever :) Não sei se sou escritora, essa palavra é bem comprometedora hahaha

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  5. "Por favor, me faça sofrer para qeu eu tenha uma porra que seja para escrever sobre você!". Mas esse é o meu erro: eu não me entrego. Nem a alegria nem a tristeza." Porque tão eu? Cara, que lindo!!

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"Devemos sempre acreditar que, por mais difícil que seja, lutar por aquilo que queremos não é perda de tempo."

- Anne Ferreira