[+QP] Esse tal de "medo"

11.4.15


Não sei quem é esse moço, esse tal de "medo". Aliás, até sei, mas não sei dizer se ele é moreno ou loiro, se tem barba ou não. Acho que ele é meio mutante, as vezes grande, as vezes pequeno; as vezes com cara de gente, outras com cara de bicho. Pensando bem, eu sei quem é ele sim, quem não sabe? Ele gosta de aparecer no escuro ou quando tudo ta claro, mas tão claro que ele chega pra confundir. 

Minha mãe sempre disse que não devo conversar com estranhos, mas o medo não é um. Parece que eu o conheço desde sempre e ele anda grudado em mim, como se fosse minha sombra. O tal disse que eu não posso subir em lugares tão altos, chegar perto de cachorros, andar de moto ou de carro, que no escuro coisas ruins se escondem e que eu iria perder aquele cara, aquela chance e blá blá blá. Minha mãe também sempre disse que não devo aceitar coisas de estranhos, mas já falei, o medo não é estranho e eu ando aceitando os conselhos que ele me dá. 

Há uma linha tênue, um limite entre o medo que te prejudica e o medo que te salva. Seu excesso  e sua escassez causam danos.

Quem nunca teve medo de fazer algo? Ou medo de que o que você está fazendo não dê em nada? O nosso futuro é uma grande icógnita e poxa, não tenho como negar que isso me assombra. Se for para tocar na ferida aberta, que seja então na minha: eu tenho medo, cara, de não ser ninguém, de não ser lembrada, de ter sido nessa vida como um cone que só estava ali pra preencher um espaço, sem função nenhuma. Monstros em baixo da cama, prefiro vocês! Por outro lado, não quero ficar estática e seguir uma linha premeditada, tosca e intediante para ser quem eu sou. E se nada disso adiantar? Aí então  não serei ninguém.

Sim, estou mesmo andando sobre essa linha tênue, que parece também uma moeda de dois lados: o medo pode me manter vigilante e sempre lutando pelos meus sonhos ou eles podem me derrubar de vez e então, de fato não serei ninguém. Metáforas. Mas sabe de uma coisa? Não vale a pena viver paralisada de medo de algo que está por vir. Meça seus medos, parça! Tenha coragem de viver o seu hoje, tenha coragem de fazer aquilo que acha certo, tenha coragem de lutar pelos seus sonhos e ouça o seu coração. Essa coragem é o que me conforta. Mesmo que eu não vista uma toga, que não haja um livro com meu nome, mesmo que na minha lápide não tenham muitas flores, mesmo que nada seja firme e concreto, eu tive a coragem de querer ser quem o meu coração mandou.

A coragem está no improviso e não há medo que nos impeça de viver quem somos e, ouso dizer, que esse tal de medo as vezes dá uma coragem...

Esse texto da blogagem coletiva do  grupo + Que palavras que mensalmente desafia nossa criatividade com temas sobre os quais devemos escrever

Que tal esses?

6 comentários

  1. Simplesmente amei! O seu jeito de escrever me prendeu ao texto! Concordo contigo: o medo não eh um desconhecido, pelo menos para mim! Desde criança tenho medo de tanta coisa. Sei que preciso me livrar de alguns medos e um dia vou conseguir. Bjssss

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    Respostas
    1. Obrigada Ana Paula! Vai sim linda, uma hora todos esses medos somem!

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  2. "Meça seus medos, parça!" kkkk Tem que ser assim mesmo, deixar o medo de não realizar expectativas um pouco de lado e 'bora'! ;)
    Até mais!

    conexaolunar.blogspot.com

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  3. Que bonito este texto. O medo também me é um velho conhecido, parceiro mesmo, de andar de mãos dadas no parque.
    beijos

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"Devemos sempre acreditar que, por mais difícil que seja, lutar por aquilo que queremos não é perda de tempo."

- Anne Ferreira